Apuração Assistida

As APIs de apuração da CBS: como consultar débitos e créditos direto do seu ERP

This article is available in Portuguese only. We keep the original content to preserve technical accuracy.
Executive summary
What changed

A Receita Federal publicou em 14 de setembro de 2026 nova documentação técnica das APIs de apuração da CBS, com consultas incrementais. A consulta de débitos e créditos foi liberada em outubro de 2026.

Who is affected

Software houses, times de TI e fornecedores de ERP que precisam conciliar a apuração da CBS, e as empresas que dependem desses sistemas no fechamento mensal.

When it takes effect

Consulta de débitos e créditos em 10/2026

Conferir a apuração na tela é uma coisa. Conciliar por API é outra, e é a que escala para doze fechamentos por ano.

O que você vai entender:

  • O que a Receita publicou, e por que importa para quem integra
  • O que é consulta incremental, e como ela muda o desenho da integração
  • Quais serviços já existem e quais chegam em novembro
  • Por que conciliar por API não é o mesmo que conferir na tela
  • O que dá para começar a construir agora

1. O que a Receita publicou

Em 14 de setembro de 2026 a Receita Federal publicou nova documentação técnica das APIs de apuração da CBS. A nota que anuncia diz a quem ela atende: profissionais da contabilidade, desenvolvedoras de software e grandes contribuintes.

A leitura de quem integra é diferente da leitura de quem apura. Para o time fiscal, a apuração assistida é um demonstrativo a conferir. Para quem escreve a integração, é uma fonte de dados com contrato, limite e ritmo, e o ritmo é mensal.

O acervo já tratou a apuração assistida por vários lados. Como ler o demonstrativo, quais são os prazos e o que o silêncio significa estão em Prazos da apuração assistida. Este artigo trata do outro lado da mesa.

2. A consulta incremental, e por que ela muda o desenho

A novidade central é pequena de enunciar e grande de consequência: cada requisição devolve apenas o que mudou desde a última consulta feita por aquele usuário.

Quem já integrou com fonte fiscal reconhece o problema que isso resolve. Sem incremento, a única forma de saber o que mudou é baixar tudo de novo e comparar. O volume cresce com o tamanho da empresa, e o custo de comparar cresce junto.

A documentação nomeia os ganhos: menos dados por consulta, menos tempo de processamento, menos consumo computacional e arquivos mais leves para baixar.

O efeito no desenho é o que interessa. Com incremento, a integração deixa de ser uma carga cheia agendada e passa a ser um fluxo de alterações. Muda o que se guarda: em vez do retrato mais recente, o histórico de mudanças, com a marca da última consulta bem-sucedida.

E muda o tratamento de falha. Numa carga cheia, requisição perdida se resolve rodando de novo. Num fluxo incremental, requisição perdida é alteração que ninguém mais vai mandar, então o ponteiro só avança depois que o dado foi gravado.

3. O que existe hoje e o que chega em novembro

As APIs cobrem dois tipos de serviço: os que consultam e os que emitem. A entrada é escalonada.

ServiçoQuando fica disponível
Consulta de débitos e créditosOutubro de 2026
Consulta de pagamentos e de recolhimentos pelo adquirenteNovembro de 2026
Emissão de DARF de recolhimento pelo adquirente, o RADFim de novembro de 2026
Emissão de DARF de pagamento do contribuinte, o PCONTFim de novembro de 2026

O calendário é da Receita e pode mudar. Confira a data de disponibilidade na documentação antes de prometer entrega, porque cronograma de terceiro não cabe em plano de projeto sem folga.

A ordem tem lógica, e ela sugere por onde começar. Primeiro saber quanto se deve e quanto se tem. Depois saber o que já foi pago. E só então emitir a guia. Começar pelo fim exige o meio que ainda não existe.

4. Conferir na tela e conciliar por API são trabalhos diferentes

Vale explicitar a diferença, porque ela decide se o investimento na integração se paga.

Conferir na tela é um humano abrindo o demonstrativo, olhando os totais e procurando o que destoa. Funciona em volume pequeno e no primeiro mês, quando ainda há atenção sobrando.

Conciliar por API é o sistema comparando, linha a linha, o que o Fisco apurou com o que a empresa escriturou, e apontando só as diferenças. Não se cansa no sexto mês, e é a única forma que sobrevive a doze fechamentos por ano.

A diferença de ritmo é o argumento inteiro. Na declaração pré-preenchida do Imposto de Renda a conferência é anual e individual. Aqui é mensal e corporativa, com prazo curto e consequência para o silêncio. O que aguenta essa cadência é processo, e não esforço.

O caso em que o dado de entrada decide o resultado da apuração está em OCR e apuração assistida: por que o dado de entrada certo decide a sua apuração.

5. O que dá para construir agora

Com a consulta de débitos e créditos disponível, dá para montar a espinha da integração e deixar os serviços de novembro como encaixe.

  1. Modelar o armazenamento pensando em alterações, e não em retrato. Guardar quando cada alteração chegou é o que permite responder depois por que um número mudou.
  2. Guardar o ponteiro da última consulta bem-sucedida por usuário, e só avançá-lo depois da gravação confirmada. É o que evita perder alteração em caso de falha.
  3. Montar a comparação entre o apurado pelo Fisco e o escriturado pela empresa desde o começo, ainda que rodando sobre poucos dados. A comparação é o produto; a consulta é só o insumo.
  4. Deixar o espaço da emissão de DARF previsto no fluxo, sem construir. O contrato dela ainda não está disponível, e o formato do que vem antes já indica onde ela encaixa.
  5. Registrar a data da consulta à documentação no próprio código, porque o cronograma é de terceiro e a nota que explica a decisão de hoje some em três meses.

6. O que isso vale em tempo de equipe

A conta que decide a prioridade é de horas, e ela é montada com números da própria operação.

A premissa: a conferência manual de uma competência consome H horas de um analista fiscal. Como a apuração é mensal, o ano custa 12H.

Com 6 horas por competência, são 72 horas por ano. São quase duas semanas de trabalho de uma pessoa, gastas conferindo o que uma comparação automática apontaria em minutos. E essas horas caem sempre na mesma janela do mês, disputando espaço com o fechamento.

O ganho real não é a hora economizada. É que a conferência automática encontra a divergência pequena, aquela que o olho humano passa batido no sexto mês, e é a pequena repetida doze vezes que vira número grande.

Troque o H pelo tempo da sua equipe antes de decidir onde a integração entra na fila.

7. Perguntas frequentes

Preciso de certificado digital para consumir as APIs?
O acesso a serviço fiscal por API segue o modelo de autenticação da Receita, e o detalhe de credencial está na própria documentação, em docs.receitafederal.gov.br/apuracao-cbs. Vale conferir lá antes de desenhar o fluxo de credenciais, porque esse é o item que trava piloto na véspera.

A consulta incremental me obriga a guardar tudo o que já veio?
Na prática sim, e é o desenho que ela pede. Como cada chamada devolve só o que mudou, o estado completo passa a ser responsabilidade de quem integra. Quem não guardar o acumulado fica sem o retrato, e recompor depois custa mais do que guardar desde o começo.

E se eu perder uma janela de consulta?
O incremento é contado a partir da última consulta daquele usuário, então ficar sem consultar não perde alteração: a próxima chamada traz o acumulado do período. O que perde alteração é avançar o ponteiro sem ter gravado o que veio, e por isso a ordem grava primeiro e avança depois.

Isso substitui a escrituração?
Não. A apuração assistida é o Fisco apresentando o saldo que ele calculou com os documentos que já circulam. A escrituração da empresa continua sendo o lado dela da conta, e é a existência dos dois lados que torna a conciliação possível. Integração que só espelha o que o Fisco diz não concilia nada.

O calendário de liberação é firme?
É o previsto na publicação de setembro, e cronograma de órgão público se ajusta. Três coisas protegem o projeto: construir o que já existe, deixar previsto o encaixe do que vem e conferir a documentação antes de assumir data com a área de negócio.

Migrate ao seu lado na conciliação mensal

Conferência que depende de atenção humana funciona no primeiro mês e falha no sexto. Com apuração mensal, o sexto mês chega rápido.

A Migrate participa do projeto piloto da apuração assistida do IBS e vive de documento fiscal eletrônico há mais de 20 anos, em cinco países. É do documento fiscal que nasce cada linha da apuração, e é por isso que a conciliação começa antes da API.

Se a sua equipe está desenhando essa integração, vale conversar antes de fechar o modelo de dados.

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Referências

BRASIL. Receita Federal. Receita Federal publica nova documentação técnica das APIs de apuração de CBS, 14 de setembro de 2026. https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/receita-federal-publica-nova-documentacao-tecnica-das-apis-de-apuracao-de-cbs

BRASIL. Receita Federal. Documentação técnica das APIs de apuração da CBS. https://docs.receitafederal.gov.br/apuracao-cbs/

BRASIL. Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, art. 46. Planalto. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp214.htm

Matheus Melo
Matheus Melo
Migrate Team

Migrate's specialists closely follow changes in tax legislation and electronic fiscal documents.

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