Apuração Assistida

Apuração assistida: o passo a passo para auditar o cálculo do Fisco no prazo

Resumo executivo
O que mudou

A conferência da apuração pré-preenchida virou etapa obrigatória da rotina fiscal mensal: quem não confere e contesta no prazo confirma o cálculo do Fisco.

Quem é afetado

Analistas fiscais, contadores e escritórios contábeis e controllers responsáveis pela apuração mensal do IBS e da CBS em empresas dos regimes regulares.

Um playbook prático para auditar o cálculo que o Fisco devolve, classificar créditos e contestar divergências dentro do prazo.

Como conferir a apuração assistida?

Conferir a apuração assistida é comparar o cálculo que o Fisco devolveu com os seus próprios dados, identificar divergências e contestá-las dentro do prazo, antes que o silêncio constitua a dívida (aceite tácito).
Todo mundo explica o que é a apuração assistida. Quase ninguém mostra como conferir. Este é o passo a passo.
E ele foi escrito para quem vai fazer isso na prática: o analista fiscal que exporta relatório e bate item por item, o contador que responde por uma carteira de clientes e o controller que assina o número no fim. Se o seu mês já termina em planilha, conferindo linha por linha até fechar, este texto é sobre a sua rotina.

 

Antes de começar: o que chega até você


A apuração pré-preenchida é montada por dois órgãos, cada um na sua competência: a Receita Federal, para a CBS, e o Comitê Gestor do IBS, para o IBS. A base do cálculo são os seus próprios documentos fiscais eletrônicos, emitidos e recebidos.
O que a torna diferente de qualquer relatório é o efeito jurídico do prazo: pelo art. 46 da LC 214/2025, a ausência de manifestação dentro da janela constitui o crédito tributário (aceite tácito). Os prazos operacionais estão no Decreto 12.955/2026 e ainda podem mudar (o CFC pediu ampliação). Trabalhe sempre com a versão vigente.

Os 7 passos

  1. Receba e organize a apuração pré-preenchida. Separe débitos e créditos como o Fisco os enviou.
  2. Cruze com a sua fonte da verdade. Compare com o seu ERP e seus documentos fiscais: é aí que a divergência aparece.
  3. Classifique os créditos em três baldes. Aproveitável, em risco e a processar. Lembre: o crédito só se materializa quando o fornecedor recolhe, crédito faltando pode ser atraso, não erro.
  4. Ache a divergência e a causa. Erro de origem na sua nota? Fornecedor que declarou errado? Crédito ainda não materializado? A causa define a ação.
  5. Reúna a base legal de cada contestação. Sem fundamento, a contestação não se sustenta.
  6. Manifeste-se dentro do prazo. Ajuste o que for seu e conteste o que for do outro lado, antes de a janela fechar.
  7. Vire rotina. A apuração é mensal. Transforme a conferência em processo, não em força-tarefa de fim de mês.

 

Por que classificar o crédito em “aproveitável, em risco e a processar”?

Porque nem todo crédito que aparece já é seu, e nem todo que falta é erro. Separar os três evita tanto perder crédito legítimo quanto assumir um que ainda vai se materializar.

 

O erro mais caro: parar no passo 4

Muita equipe encontra a divergência (passo 4) e trava. Sem base legal e sem prazo à vista, a divergência “fica pra depois”. E, na apuração assistida, “depois” é aceite tácito, o silêncio vira dívida.
A defesa contra isso é processual, não heroica: cada divergência ganha causa, responsável e fundamento no momento em que é encontrada. O registro da decisão vale tanto quanto a decisão: é ele que sustenta a contestação e explica, meses depois, por que a empresa agiu como agiu.

 

Até onde o manual dá conta

Dá para conferir a apuração à mão. A pergunta é por quanto tempo, e a que custo.
Com poucas dezenas de documentos, uma planilha disciplinada resolve. O time abre a apuração recebida, compara com o ERP, anota as divergências e se manifesta no prazo. Funciona.
A conta muda com o volume. Com centenas ou milhares de documentos, a conferência item a item deixa de caber na janela mensal, e o risco troca de natureza: não é mais errar uma nota, é não conseguir olhar todas. O que ninguém olhou segue para o aceite tácito junto com o resto.
Muda também com a rotatividade do time. Quando o método vive na memória de uma pessoa e numa planilha local, cada troca recomeça o aprendizado, e o histórico das decisões anteriores se perde.

 

O que precisa estar garantido, com ou sem plataforma

Independente da ferramenta, três coisas separam a conferência que se sustenta da que trava no meio do mês:

  1. Priorização. A maior parte da apuração tende a ser rotina. Uma parte menor concentra as divergências que exigem decisão humana. Separar as duas é o que mantém o time no que importa dentro do prazo.
  2. Prazo sob controle. A janela é mensal e tem efeito jurídico. Precisa de dono, alçada de decisão e aviso antes do fechamento, não depois.
  3. Rastro da decisão. Cada ajuste e cada contestação precisam de causa, fundamento e responsável registrados. É o que sustenta a posição da empresa meses depois.

Fazer isso à mão é possível. Fazer isso à mão todo mês, com o volume crescendo e sem depender de quem lembra do processo, é o que fica difícil.
É esse trecho que a InvoiCy Apuração Assistida assume: transformar os 7 passos em um processo com método, prazo e rastro, apoiado na qualidade do dado na origem, onde a Migrate já atua. A decisão continua com o seu time. O que muda é não depender da memória de uma pessoa para chegar até ela.

O que muda no dia de quem confere


O trabalho não desaparece com a apuração assistida. Ele muda de natureza: sai de somar e chega em auditar. Isso pesa diferente em cada cadeira.

 

Analista fiscal

É quem faz a conferência com as mãos. Hoje o mês termina exportando relatório, montando planilha e batendo item por item até a diferença aparecer.
O ponto de partida muda: o número já vem pronto do Fisco. O tempo que ia para montar e somar passa a ir para investigar a causa da divergência e reunir o fundamento da contestação. É trabalho mais qualificado e menos mecânico, com uma condição: precisa caber na janela do mês.

 

Contador e escritório contábil

Aqui o desafio multiplica. Não é uma janela mensal, são dezenas, uma por cliente, todas no mesmo período. O risco deixa de ser de uma empresa e passa a ser de carteira.
Dois pontos se tornam indispensáveis: um processo padronizado, que não dependa de quem atende cada cliente, e o registro de que o cliente foi avisado do que precisava decidir. Sem esse registro, a responsabilidade fica confusa quando o prazo fecha.

 

Controller e gerente fiscal

Quem responde pelo número raramente é quem o monta. A pergunta dessa cadeira é outra: o que ainda está pendente, o que já foi contestado e o que vira dívida se ninguém agir até o fechamento.
Isso é visibilidade e prazo, não planilha. Saber a resposta no dia 10 permite decidir. Saber no dia 30 é só constatar.

 

Perguntas Frequentes

  1. Como conferir a apuração assistida? Comparando o cálculo que o Fisco devolveu com os seus próprios dados, identificando divergências e contestando dentro do prazo, antes do aceite tácito.
  2. Por que classificar o crédito em três baldes? Porque nem todo crédito que aparece já é seu, e nem todo que falta é erro. Separar aproveitável, em risco e a processar evita perder crédito legítimo ou assumir um que ainda vai se materializar.
  3. Crédito que não apareceu é sempre erro? Não. O crédito só se materializa quando o fornecedor recolhe, pode ser atraso, não erro. A causa define a ação.
  4. O que fazer quando encontro uma divergência? Identificar a causa (erro de origem, fornecedor ou crédito não materializado), reunir a base legal e manifestar-se dentro da janela.
  5. Com que frequência preciso conferir? Todo mês. A apuração é mensal, e a conferência precisa virar processo, não força-tarefa de fim de mês.
  6. Preciso de uma plataforma para conferir? Não. Dá para conferir à mão, sobretudo com pouco volume. O que a plataforma muda é a sustentação do processo mês após mês: priorização, prazo sob controle e rastro das decisões.

 

Migrate ao seu lado na conferência


Há mais de 20 anos a Migrate cuida do documento fiscal eletrônico que agora alimenta a apuração. O InvoiCy Apuração Assistida transforma esses 7 passos em um processo com método e prazo, apoiada na qualidade do dado na origem, onde a Migrate já atua. Está em fase final, abrindo por lista de espera.

 

Matheus Melo
Matheus Melo
Time Migrate

Especialistas da Migrate acompanham de perto as mudanças em legislação tributária e documentos fiscais eletrônicos.

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