NF-e

As rejeições de NF-e mais comuns: entenda o que significam e como resolver

This article is available in Portuguese only. We keep the original content to preserve technical accuracy.
Executive summary
What changed

Às rejeições clássicas da NF-e (duplicidade, schema, NCM, totais) soma-se a família da Reforma: mais de 200 validações de IBS/CBS previstas na NT 2025.002, com a 1115 na porta de entrada.

Who is affected

Todo emissor de NF-e/NFC-e: times de faturamento e fiscal, TI das empresas e software houses que mantêm ERPs.

Da duplicidade 539 à nova 1115 do IBS/CBS: o que cada código diz, onde nasce o erro e o caminho de correção, reunidos em um guia único.

O que você vai entender:

  • O que é uma rejeição da SEFAZ, e por que ela trava o faturamento sem gerar multa
  • As rejeições mais comuns do Brasil, em tabela: código, significado, causa típica e primeiro passo
  • Por que duplicidade (539 e 204) costuma ser problema de sincronização, não de nota
  • A diferença entre 215 e 225, as duas falhas de schema que o mercado confunde
  • A nova família de rejeições da Reforma (1115 e o grupo do IBS/CBS) e como se preparar

O que é uma rejeição de NF-e?
Rejeição é a recusa da SEFAZ em autorizar uma nota fiscal eletrônica que violou alguma regra de validação, identificada por um código (cStat). A nota rejeitada não tem valor fiscal e não gera multa: o efeito real é operacional, a venda fica travada até a correção e o reenvio.

1. Rejeição não é multa: é faturamento parado

Quando a SEFAZ rejeita uma NF-e, ela devolve um código numérico e uma mensagem curta. Não há penalidade fiscal em ser rejeitado: a nota simplesmente não existe para o Fisco, e a empresa pode corrigir e retransmitir quantas vezes precisar.

O custo está em outro lugar. Enquanto o código não é decifrado, a mercadoria não sai, o cliente espera e alguém do time caça a causa em fóruns e chamados. E o problema é estrutural: rejeição não é acidente raro na emissão brasileira, é rotina. A mesma causa volta enquanto não é tratada na origem.

2. As mais comuns, em uma tabela

CódigoO que significaCausa típicaPrimeiro passo
539Duplicidade de NF-e com diferença na chave de acessoReenvio de nota já autorizada cuja resposta não chegou ao sistemaConsultar se a nota original foi autorizada antes de reenviar
204Duplicidade de NF-eMesmo cenário: a SEFAZ já autorizou uma nota com aqueles dadosLocalizar o protocolo da nota original
215Falha no schema XML da notaTag obrigatória ausente, caractere inválido ou estrutura fora do leiauteValidar o XML da nota contra o schema vigente
225Falha no schema XML do loteO erro está no envelope de envio, não na nota em siValidar a estrutura do lote de transmissão
280/281Certificado digital inválido ou vencidoCertificado expirado ou cadeia incompletaVerificar validade e renovar com antecedência
610Total da NF difere do somatório dos itensCálculo do ERP diverge da regra de totalização da SEFAZRecalcular a composição do vNF item a item
778NCM inexistenteCadastro de produto com NCM desatualizado na tabela vigenteCorrigir o NCM na origem, no cadastro do produto
1115IBS/CBS não informadoERP ainda não gera o grupo de tributos da Reforma, de preenchimento obrigatório desde 03/08/2026 (rejeição automática adiada, sem data)Atualizar o sistema para o leiaute da NT 2025.002

Códigos e significados conforme a tabela cStat do Portal Nacional da NF-e. A lista prioriza os mais buscados e não substitui a tabela oficial completa.

3. Duplicidade (539 e 204): quando o problema é sincronização

A dupla campeã de volume tem uma causa que quase nunca é fiscal. O cenário recorrente: a nota foi autorizada, mas o retorno da SEFAZ não chegou ao ERP, por instabilidade, timeout ou falha de comunicação. O sistema, sem saber da autorização, tenta transmitir de novo, e a SEFAZ responde com duplicidade.

A pergunta certa, então, não é “o que há de errado com a minha nota”. É: o seu sistema sabe diferenciar uma nota realmente não autorizada de uma nota autorizada cujo retorno se perdeu? Quem responde isso resolve a 539 e a 204 na causa, não no sintoma.

4. Schema (215 e 225): a diferença que o mercado confunde

As duas são falhas de schema XML, mas em camadas diferentes: a 215 aponta erro na estrutura da própria nota; a 225, no lote que a transporta. Saber em qual camada o erro mora corta o diagnóstico pela metade.

E há um agravante de 2026: com os novos grupos de IBS/CBS no leiaute, um XML gerado por sistema desatualizado pode falhar no schema antes mesmo de chegar às validações de conteúdo. Falha de schema, hoje, é cada vez mais sintoma de leiaute defasado.

5. Cadastro e cálculo (778 e 610): o erro que nasce antes da nota

A 778 (NCM inexistente) raramente é um erro da nota: é um erro do cadastro de produtos, que envelheceu em relação à tabela vigente. Corrigir a nota do dia resolve o sintoma; sanear o cadastro resolve a doença.

A 610 conta uma história parecida no cálculo: o total informado não fecha com a composição esperada pela SEFAZ. Quando o ERP calcula diferente do validador, a resposta não é ajustar o total na mão, é descobrir qual regra de totalização o sistema está aplicando errado.

6. As novas rejeições da Reforma: a família que mais cresce

A NT 2025.002 criou as validações do IBS e da CBS na NF-e, e o preenchimento dos campos é obrigatório desde 03/08/2026 para emissores do regime regular (Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026). A rejeição automática da porta de entrada, a 1115 (IBS/CBS não informado), foi adiada pela versão 1.51 da NT para implementação futura, sem data definida: a nota sem o grupo segue sendo autorizada por ora, mas descumpre a obrigação de preenchimento. E a 1115 é só a primeira de uma família: são mais de 200 regras previstas, a maior parte verificando CST, cClassTrib e alíquotas item a item, com códigos como 1026, 1028, 1035, 1036 e 1037, entrando em produção pelo cronograma da NT.

O padrão muda em relação às rejeições clássicas: não é mais um campo errado, é uma malha de consistência entre classificação, alíquota e totalização. Este blog tem dois aprofundamentos dedicados: a Rejeição 1115 em detalhe e o guia de interpretação das novas rejeições por causa.

7. Como sair do ciclo: do código ao diagnóstico

O código é o começo do diagnóstico, não a resposta. O caminho que encurta a correção tem três passos: identificar a camada do erro (schema, cadastro, cálculo, comunicação ou regra nova), localizar a origem (a nota, o lote, o cadastro ou o sistema) e corrigir o processo, não só o documento do dia, para a rejeição não voltar no mês seguinte.

É exatamente esse trecho que dá para automatizar: transformar o código críptico em orientação clara de correção, antes que ele vire chamado, retrabalho e venda parada.

8. Perguntas Frequentes

  1. Nota rejeitada gera multa? Não. A rejeição impede a autorização, sem penalidade fiscal. O custo é operacional: a venda fica travada até a correção.
  2. Posso reenviar uma nota rejeitada? Sim, quantas vezes for preciso, depois de corrigir a causa. Rejeição não consome numeração definitivamente nem gera obrigação.
  3. Qual a diferença entre rejeição e denegação? A rejeição é corrigível e reenviável. A denegação é definitiva para aquela operação, geralmente por irregularidade cadastral do emitente ou destinatário.
  4. Por que recebo duplicidade se nunca reenviei? Provavelmente o seu sistema reenviou sozinho, após perder o retorno de uma autorização. É problema de sincronização entre ERP e SEFAZ.
  5. O que é o código cStat? É o código de status que a SEFAZ devolve para cada documento processado: autorização, rejeição ou denegação, cada qual com seu número.
  6. As rejeições da Reforma já estão valendo? O preenchimento dos campos de IBS/CBS é obrigatório desde 03/08/2026 para o regime regular, mas a rejeição automática por ausência do grupo foi adiada sem data definida. Acompanhe o cronograma da NT 2025.002.

Migrate ao seu lado na próxima rejeição

Há mais de 20 anos a Migrate vive de documento fiscal eletrônico, e conhece cada uma dessas mensagens de perto. O Audit PRO transforma o código de rejeição em orientação clara de correção, em português e em segundos: você cola o código ou o XML e recebe o diagnóstico, sem instalar nada. As três primeiras validações são gratuitas, direto no site, sem falar com vendas.

Teste grátis o Audit PRO: cole o código ou o XML e veja o diagnóstico

9. Referências

BRASIL. Portal Nacional da NF-e. Manual de Orientação ao Contribuinte (MOC), versão 7.0: tabela de códigos de status e mensagens de rejeição. URL: https://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/exibirArquivo.aspx?conteudo=LrBx7WT9PuA=

BRASIL. Portal Nacional da NF-e. Nota Técnica 2025.002, versão 1.51 (validações de IBS/CBS). URL: https://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/listaConteudo.aspx?tipoConteudo=04BIflQt1aY=

BRASIL. Comitê Gestor do IBS (CGIBS). Novo marco da Reforma Tributária inicia em 03 de agosto. URL: https://www.cgibs.gov.br/novo-marco-da-reforma-tributaria-inicia-em-03-de-agosto-com-preenchimento-obrigatorio-dos-campos-relativos-ao-ibs-e-a-cbs

Matheus Melo
Matheus Melo
Migrate Team

Migrate's specialists closely follow changes in tax legislation and electronic fiscal documents.

Migrate Newsletter

The right information. At the right time!
Get relevant tax content and updates straight to your inbox.